Se penso, sinto. Se sinto, logo escrevo...

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Rotina

Por Mickhail Vasilyevich

“Todo dia, ao acordar pela manhã ela se vestia com uma nova aura de esperança. Como se no começar de um novo dia pudesse ali escrever uma nova história, colocar uma nova esperança. Então ela olhava para Deus e pedia matinalmente que daquela vez, só daquela vez, as vontades se coincidissem. Em seqüência penteava os seus cabelos, passava o seu batom, seu perfume, maquiava-se e saia para tomar o seu café. Depois ela fazia uma prece e logo saia para tirar a poeira da palavra amor *... Todos os dias.”


* Paráfrase de Clarice Lispector.


Raquel Faria.

Permanência




Desconhecido

“Ela já não o reconhecia mais, e até certo ponto recusava e se negava e reconhecê-lo, a aceitar sua existência, ou, diga-se de passagem, sua persistência. Mas Ele ainda estava lá... Pequenininho, singelo, presente, latente... Ele estava lá pra mais uma vez ludibriar, para enfeitiçar, para enlaçar, revigorar.

E como se sabia? Ah... Sabiam-se todas as manhãs; na faceira memória que sorrateiramente insistia em relembrar tempos findos; no pensar, na esperança que se confundia em fé, no se arrumar.
Sabia-se na leitura de um horóscopo diário que nem ao menos era o seu.

Ah... O amor, Ele ainda estava lá.


Raquel Faria.